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Trânsito Epidemia de Falta de Civismo
26/12/2015

Reprodução integral de publicação de Sergio Reze, na edição de 25.12.2015 do Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região.
 
“Muito se fala sobre a confusão que é o trânsito nas cidades brasileiras e Sorocaba não foge à regra”
 
Na minha vivência como cidadão, que dirige veículos há 59 anos, e participando de fóruns de discussão tendo inclusive opinado, através da entidade que presidi, sobre a lei que modificou o Código Brasileiro de Trânsito na década de 90, posso dizer que leis existem. O problema é a aplicação dessas leis que, como sempre em nosso País, são divididas em diversos órgãos de controle, que fazem um jogo de empurra-empurra não tendo condições de controlar coisíssima nenhuma.
 
Grande parte da responsabilidade dos problemas no trânsito recai sobre parcela expressiva dos motoristas, cujo o nível de civilidade e respeito é quase nulo. O reflexo dessa incivilidade se reflete nos acidentes, com um custo financeiro elevadíssimo para quem sofre o acidente e para quem tem a obrigação de prestar o socorro.
 
A redução de velocidade em avenidas da cidade de São Paulo (que Sorocaba deveria ter assumido também), que ajuda a diminuir o número de acidentes, não entra naquilo que é mais importante: quem fiscaliza o cumprimento da lei e quem cumpre a lei. Todos se defendem jogando as culpas uns nos outros. E não me venham com o argumento da fiscalização eletrônica de velocidade, a colocação de lombada e quebra-molas, pois isso tudo só serve de paliativo. Dez entre dez motoristas chegam nesses obstáculos em velocidade muito superior a permitida, reduzindo para então ultrapassar o obstáculo e voltando a acelerar em seguida. Quantas vezes dirigindo em ruas laterais na velocidade preconizada, e me aproximando de um semáforo ou cruzamento, sou ultrapassado por um apressado que não se conforma por estar sendo "atrasado" pelo meu veículo, me ultrapassa e freia logo ao chegar no semáforo ou cruzamento 50 metros à frente.
 
Quem viaja pela rodovia Castelo Branco encontra alguns radares e nenhum policial nos 100 km de Sorocaba a São Paulo e de São Paulo a Sorocaba. Caminhões com 50 Toneladas PBTA rodam em velocidade superior a permitida, e ainda fazem manobras perigosas o que explica o número de acidentes com caminhões em percursos absolutamente planos e sem curvas. Veículos de passeio, preferencialmente os de alto valor, cujos os motoristas se julgam superiores e com direitos maiores sobre outros, transitam sem nenhum respeito pelo próximo.
 
Em Sorocaba, além do papel dos motoristas, existe o comportamento das autoridades envolvidas no planejamento urbano e que dão autorização de construções, na concessão de alvarás de uso do solo e na orientação e implementação de como os veículos devem se comportar perante ao Código Brasileiro de Trânsito. Temos um pequeno exemplo: a construção de uma UPH na avenida General Carneiro, local onde não existe estacionamento para veículos dos que necessitam-se utilizar dela. Na calçada em frente existe um ponto de ônibus que atravanca o trânsito com enorme volume de pessoas se utilizando desse espaço. Faixas de travessia de pedestres existem, mas submetem os que dela se utilizam ao volume e à velocidade dos veículos que trafegam pela mesma avenida, tendo já ocorrido atropelamento com morte. É bom lembrar que uma grande concessionária de veículos e uma agência bancária de grande movimento, e muitos bares e farmácias adensam ainda mais o fluxo de pedestres no entorno da UPH. Ou seja, os motoristas têm a parcela de culpa deles, mas as autoridades que regulam o uso do solo têm igualmente a delas no que diz respeito a falta de respeito ao Código de Trânsito.
 
Exemplos como estes podemos encontrar em praticamente todas as ruas e avenidas de nossa cidade, mas para a melhor ilustrar esse artigo, é só ver o que acontece no cruzamento das avenidas Antônio Carlos Cômitre com Washington Luiz, com a autorização de supermercado e bares. Nunca será demais evidenciar que boa parte dos bares ocupam as esquinas, fazendo uso de estreitas calçadas que seriam originalmente destinadas ao uso de pedestres.
 
Enfim, algum dia poderemos ver em nossa Sorocaba, ruas e avenidas destinadas aos veículos automotores e as calçadas ao uso dos pedestres?
 
Sérgio Reze é presidente do Instituto Defenda Sorocaba.


IDS




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