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Em defesa da cidade
30/12/2012

Em 30/12/2012, em seu Editorial, o Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região, abordou o IDS e a pressa na aprovação da proposta para o novo Plano Diretor da cidade.

Segue a íntegra da matéria.

Em defesa da cidade.

O questionamento do Defenda Sorocaba à revisão do Plano Diretor, que amplia consideravelmente as áreas passíveis de receber projetos habitacionais, é pertinente e merece, de fato, ser debatido em um fórum o mais amplo possível

Sorocaba terá muito a ganhar se a semente plantada pelo empresário Sérgio Reze, idealizador do movimento Defenda Sorocaba, germinar e der à luz uma frente social ampla nos moldes preconizados por seu precursor, desvinculada das agendas político-partidárias e dos anseios de setores econômicos específicos, com foco apenas no debate dos assuntos que interessam à coletividade.

A cidade carece de uma militância representativa, organizada e inteligente, que seja capaz de dissecar os temas de maior relevância e de apontar suas implicações de médio e longo prazo para a qualidade de vida dos sorocabanos. Um movimento que não seja chapa-branca nem de oposição, mas que saiba manter-se equidistante do poder, de forma a constituir uma reputação de credibilidade sem a qual os movimentos sociais dificilmente conseguem conquistar um lugar ao sol.

O Defenda Sorocaba estreia em momento oportuno - a discussão da proposta de revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano - e se beneficia das boas credenciais de seu mentor. Sérgio Antonio Reze foi, por seis anos (2006-2011), presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), cargo que fez dele um interlocutor de nível nacional sobre questões econômicas e de mercado. Pessoa respeitada e com trânsito em todos os setores, certamente não encontrará dificuldade para articular o movimento, atraindo para suas fileiras outras entidades empresariais e de classe, ONGs, universidades e associações de moradores.

Desde que o movimento se mantenha apartidário e não tenha receio de se posicionar com transparência frente a temas relevantes, sobre os quais naturalmente será chamado a opinar, sua tendência natural será de crescer, tanto em representatividade quanto em influência. Para Sorocaba, será bom contar com uma referência isenta e dotada de capacidade técnica para responder às muitas questões que ficam no ar, sempre que surge uma proposta complexa como a revisão do Plano Diretor.

Não é preciso ser clarividente para perceber que a cidade se encontra no limiar de uma fase perigosa, no que se refere ao crescimento físico e demográfico. Problemas recorrentes em setores nevrálgicos como saúde, segurança, transporte coletivo e habitação indicam que Sorocaba pode até mesmo já ter ingressado em um processo de deterioração da qualidade de vida, que tende a se agravar se não houver políticas públicas inteligentes para direcionar o crescimento.

O questionamento do Defenda Sorocaba à revisão do Plano Diretor, que amplia consideravelmente as áreas passíveis de receber projetos habitacionais, é pertinente e merece, de fato, ser debatido em um fórum o mais amplo possível, dotado de capacidade técnica para desenvolver uma análise conjuntural e sistêmica, evitando assim que interesses pontuais se sobreponham ao bem-estar coletivo.

Certamente não faltarão pessoas e entidades sérias, dispostas a integrar o movimento incipiente, assim como não faltam bons modelos de ativismo e cidadania, como o Defenda São Paulo e a Rede Nossa São Paulo, ambos voltados à preservação e melhoria da qualidade de vida na capital do Estado.

Com certeza, também, não faltará habilidade a Sérgio Reze e a seus apoiadores para fugir às armadilhas que levaram - por exemplo - o movimento Cansei, fundado em 2007 por empresários e artistas, a sumir do mapa sem dizer a que veio. O Cansei pecou pela falta de propostas e pelo mal-disfarçado antilulismo, que o condenou ao descrédito rapidamente.

Em contrapartida, a Rede Nossa São Paulo, fundada por Oded Grajew, do Instituto Ethos, alcançou a credibilidade e o respeito da mídia e da opinião pública. Seus objetivos claros, sua forma de atuação séria e tecnicamente embasada, são exemplos de reflexão sobre o espaço urbano que funcionam como referência confiável para a população e, também, como um contraponto aos lobbies que tentam colocar as políticas públicas a serviço dos setores que representam.

Notícia publicada na edição de 30/12/12 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.




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