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Áreas agrícolas cultivadas em Sorocaba aumentam
22/12/2014

Reprodução integral de notícia publicada na página 04 do caderno A, da edição de 21.12.14, do Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região. Reportagem de Rafaela Gonçalves - rafaela.goncalves@jcruzeiro.com.br.

Áreas agrícolas cultivadas em Sorocaba aumentam 45% no período de um ano.
 
Entre 2012 e 2013, o valor produzido no Município subiu 52%, passando de R$ 10, 7 milhões para R$ 16,3 milhões.
 
No Caguaçu, a irrigação nas plantações ainda é uma cena comum.
 
O novo Plano Diretor, sancionado esta semana pelo prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), prevê a redução da zona rural de Sorocaba em 19% nos próximos anos. Enquanto o Município se prepara para esta diminuição, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) chama a atenção. Os dados do estudo Produção Agrícola Municipal (PAM) apontam o crescimento da área agrícola cultivada em Sorocaba em 45% no período de um ano, entre 2012 e o ano passado. Este aumento também provocou uma elevação no valor da produção em 52%.
 
De acordo com o estudo, em 2012 a área agrícola cultivada era de 935 hectares, o que representava R$ 10,716 milhões em produtos. Já em 2013 a área passou para 1.355 hectares, gerando R$ 16,373 milhões em produtos. As principais produções da cidade são: cana-de-açúcar, feijão, mandioca, milho e tomate. As áreas rurais de Sorocaba estão espalhadas, principalmente, nos bairros Caguaçu, Cajuru, Green Valley, Itinga e Itatinga.
 
Os números são bem vistos pelo presidente do Sindicato Rural de Sorocaba, Luiz Antônio Marcello, que teme um regresso na produção com sanção do Plano Diretor, gerando uma redução nas plantações. Os moradores da região rural, em contrapartida, não notaram o aumento e alguns acreditam que houve até uma diminuição.
 
Luiz Antônio Marcello afirmou que Sorocaba tem grande potencial agrícola e não poupou críticas ao novo Plano Diretor. "É um absurdo o que está acontecendo. Um desastre está muito perto de acontecer. O valor das terras de Sorocaba superam até as de Ribeirão Preto, com a valorização dos últimos dez anos", disse. "Temo pelo que pode acontecer porque, além da questão da produção, tem também o lado ambiental. Os produtores cuidam da água dos mananciais. A água da chuva vai para o subsolo, imagina se não tiver mais? Para onde essa chuva vai, para o asfalto?", questionou.
 
O presidente do Sindicato Rural de Sorocaba acredita que as ações previstas do novo Plano Diretor já estão impactando a área rural. "Ninguém fiscaliza nada. É necessário aumentar a fiscalização porque muitas áreas já foram vendidas por meio de contrato e se ninguém fiscalizar, nos próximos cinco, oito anos, tudo vai virar condomínio", disse.
 
Agricultores discordam.
 
Os moradores do Caguaçu, um dos principais bairros rurais de Sorocaba, não notaram um aumento na produção agrícola. "Eu acho até que diminuiu", disse o operador de trator, Augusto Soares, 60 anos. "Antes nós plantávamos cana-de-açúcar em uma área que hoje virou um condomínio", complementou.
 
Soares também da invasão da área rural. "Agora com esses condomínios aqui aumentou a bandidagem. Outro dia assaltaram a casa do meu filho durante o dia e teve uma vez também colocaram uma arma na minha cintura e levaram o meu trator. E isso não ocorreu à tarde", comentou.
 
O agricultor Adilson Sampaio, 70, também não notou o aumento da área de produção. "Acho que não mudou muito, pelo menos aqui no Caguaçu. Mas a agricultura precisa ser mais debatida mesmo. Eu vejo muitos vizinhos criticando as vendas das terras, mas o crescimento chegou aqui e nós temos que pensar em tudo", comentou. "Eu posso falar porque eu vivo disso e criei e formei todos os meus filhos com este trabalho", complementou.
 
Sampaio, que cultiva o hortifruti há 50 anos, conta que diminuiu a sua produção e se desfez de algumas terras. Ele reclama que o preço da couve-flor é o mesmo desde 1994, quando foi implantado o Plano Real, em compensação houve aumento em todos os outros gastos, como por exemplo o adubo, que custava R$ 140 e hoje sai por R$1.100. "Eu tive alguns problemas financeiros e vendi algumas terras para quitar as dívidas e também deixei de arrendar terras que eu plantava. É por isso que eu não critico quem vende terra. A pessoa tem dívida e não vai pagá-la?", questionou.
 
Segundo Sampaio, as terras estão cada dia mais valorizadas e, por isso, a tendência é que muitos proprietários acabem vendendo. "Um alqueire (equivalente a 2,4 hectares) vale por volta de R$ 600 mil a R$ 1 milhão. A oferta é boa e alguns acabam vendendo", explicou. O agricultor diz que enquanto não houver ações de incentivo à agricultura, as pessoas vão vender terras. "Eu acho que a agricultura precisa ser mais discutida", finalizou.
 
IDS




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