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Vaias e xingamentos na aprovação do Plano Diretor
14/11/2014

Íntegra de notícia do Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região, publicada na edição de 14.11.2014, pág. A4. Reportagem de Míriam Bonora - miriam.bonora@jcruzeiro.com.br.
 
(No arquivo "pdf" do final desta página, conheça os vereadores que votaram a favor da aprovação, e os que votaram contra).
 
Novo Plano Diretor é aprovado sob vaias.
 
Proposta recebeu 14 votos favoráveis e seis contrários. Houve protesto com cartazes e faixas contra o projeto.
 
Galeria da Câmara ficou lotada e manifestantes protestaram contra a revisão do Plano Diretor.
 
Em uma votação com as galerias de participação popular cheias, com dezenas de cidadãos, os vereadores aprovaram ontem, em segunda e última discussão, o novo Plano Diretor por 14 votos a seis, mesmo sob vaias, xingamentos e cartazes pedindo a rejeição do projeto de lei 178/2014 (veja abaixo o voto de cada vereador). Eram necessários sete votos contrários para que o projeto fosse rejeitado. A população se manifestou durante toda a discussão do projeto, aplaudindo os vereadores que anunciavam o voto contrário ao novo plano e vaiando os que diziam que votariam a favor. Após a aprovação, por volta das 13h30, as 221 emendas parlamentares passíveis de aprovação começaram a ser apreciadas, votação que invadiu a madrugada novamente. Agora o texto segue para o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) para sanção e publicação.
 
Estudantes, representantes de associações de bairro, de entidades representativas e cidadãos comuns levaram faixas e cartazes que diziam "Os estudantes são contra o PL 178", "Mais verde, menos concreto", "Água? Onde?" e "Chega de cinza, defendemos o verde".
 
Nas discussões sobre o projeto, o vereador Luis Santos revelou que votaria contra o projeto, mudando seu voto em relação à primeira discussão, em 16 de outubro. Santos afirmou que decidiu com sua consciência, pensando na qualidade de vida da população, na proteção ambiental e dos recursos hídricos, e para que Sorocaba não se transforme em uma Guarulhos ou Campinas.
 
A fala de Santos foi aplaudida pela maioria da população, assim como as de Crespo e Carlos Leite, que defenderam a rejeição do projeto e a formulação de um substitutivo com a participação de universidades e entidades representativas. "É preciso discutir, definir que cidade queremos. Será que queremos uma Sorocaba com 1,2 milhão de habitantes, como esse novo plano prevê?", questionou Crespo.
 
Quando Anselmo Neto, o último inscrito antes da votação, subiu à tribuna e revelou que seu voto seria pelo sim, os ânimos se agitaram. "Esse plano é muito ruim, muito mal elaborado, mas retirá-lo agora não vai melhorar em nada a situação", afirmou. A população na galeria vaiou o vereador e Crespo começou a rebatê-lo, mesmo sem o microfone ligado. "Nós temos que entender que nessa cidade as mudanças são necessárias. O Partido Progressista quer uma cidade progressista com qualidade de vida", disse Anselmo, ainda sob vaias.
 
Após a aprovação do projeto, às 13h30, dezenas de pessoas se levantaram e demonstraram indignação com o resultado. As vaias e gritos se intensificaram. Frases e xingamentos como: "O povo nunca é ouvido", "Vendidos", "Picaretas" e "Traição" foram ditas em coro. Um grupo de cidadãos permaneceu questionando os vereadores sobre o resultado por cerca de 40 minutos, dificultando até mesmo que os parlamentares que falavam ao microfone pudessem ser ouvidos, já na tentativa de apreciação das emendas.
 
Vereadores que haviam afirmado que votariam contra o projeto, mas não confirmaram a promessa na votação, foram cobrados pela população. Entre eles estavam Fernando Dini e Anselmo Neto, que foram chamados de traidores. Dini argumentou que as emendas adequariam o projeto.
 
O aposentado Ronildo Rossi, 62 anos, relata que ficou entristecido com a votação. "É uma sem-vergonhice. Tem vereador que falou até no jornal, deu a palavra que ia votar não. Esse pessoal traiu o povo, mas não vamos perder a esperança, vamos continuar a lutar".
 
O publicitário Ricardo Eli Feldman, 32 anos, disse que não ficou satisfeito e continuará brigando para que, de alguma maneira, o novo plano seja barrado. "O novo plano acaba com a natureza, com o verde. Os vereadores foram contra os interesses da população. Pelo menos nós sabemos agora quem são os falsos, que não cumprem a palavra".
 
IDS
 

vereadores-contra-e-a-favor-do-novo-plano-diretor.pdf





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