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Proposta poderá receber nove votos contrários
13/11/2014

Íntegra de notícia do Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região, publicada na edição de 13.11.2014, pág. A4. Reportagem de Fernando Guimarães - fernando.guimaraes@jcruzeiro.com.br.
 
Proposta poderá receber nove votos contrários, revela consulta do Cruzeiro.
 
Essa projeção toma como base depoimentos de 12 vereadores ouvidos ontem à tarde pelo jornal
 
Apesar das intenções de voto manifestadas, continuam as articulações políticas para a votação do novo Plano Diretor.

 
Se o projeto de revisão do Plano Diretor de Desenvolvimento Físico Territorial de Sorocaba entrar para discussão e votação na sessão de hoje da Câmara dos Vereadores, poderá receber nove votos contrários, suficientes para a rejeição da proposta. Essa projeção toma como base depoimentos de 12 vereadores ouvidos ontem à tarde pelo jornal Cruzeiro do Sul. Os outros oito vereadores foram procurados, mas não deram retorno até a noite de ontem. Se essa matemática se confirmar, o projeto seria rejeitado por pouco mais de dois terços dos votos parlamentares. Isso se o projeto realmente for votado hoje, pois o Ministério Público do Estado em Sorocaba recomendou ao Legislativo o adiamento da votação da proposta por sessenta dias (leia nesta página). Caso o pedido da promotoria seja acatado, as 221 emendas apresentadas pelos vereadores terão de ser discutidas, já que para a sessão de hoje conforme agenda da Câmara está reservada à discussão apenas do projeto do Plano Diretor e das emendas.
 
Os três vereadores do PT - Carlos Leite, Francisco França e Izídio de Brito -, são contrários ao projeto desde que ele chegou ao Legislativo. Os vereadores José Crespo (DEM) e Jessé Loures (PV), embora não tenham confirmado ontem, em outras ocasiões manifestaram-se contrários à proposta. E depois da reunião de ontem com representantes da Prefeitura, o vereador Luis Santos (Pros) confirmou a posição de votar contra. Rodrigo Manga e Anselmo Neto, ambos do PP, e Fernando Dini (PMDB) sinalizaram que o projeto deveria ser mais debatido pela sociedade e também posicionaram-se contrários à proposta.
 
Favoráveis à proposta aparecem o presidente do Legislativo, Cláudio do Sorocaba 1 (PR), o Pastor Apolo (PSB), os dois vereadores da bancada do governo: José Francisco Martinez e Neusa Maldonado, e os três representantes do PRP - Wanderley Diogo, Waldecir Morelly e Muri de Brigadeiro. Com esse resultado, a proposta do Plano Diretor seria rejeitada, obrigando o prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) a apresentar projeto substitutivo.
 
No meio desse cabo de guerra, estão os vereadores Waldomiro Raimundo de Freitas (PSD), Irineu Toledo (PRB), Antonio Carlos Silvano (SDD) e Marinho Marte (PPS). Estes quatro mantêm a dúvida do voto. Waldomiro foi ouvido pela reportagem e disse que além de apresentar emendas votaria com a cabeça e o coração: "Vou votar naquilo que eu acho que devo". Irineu, Silvano e Marinho Marte foram procurados, mas não retornaram as ligações.
 
Em uníssono 
 
Os vereadores do PT trabalham um discurso apenas. "Estamos convictos de que o projeto não é bom para a cidade da forma como ele está. O desrespeito do setor imobiliário é muito grande com relação ao meio ambiente e com à questão da mobilidade. Isso, ao longo dos anos, vem sendo debatido e discutido, mas quem tem falado mais alto é o setor imobiliário. Não tem explicação, o real é aquilo que foi colocado no jornal e, se depender da consciência de cada vereador, vejo que o Plano Diretor não passa na sessão de amanhã (hoje). O prefeito não cumpriu a parte dele no debate. Quem cumpriu foi a Câmara e isso era papel do Executivo", critica o vereador Izídio de Brito.
 
Cláudio do Sorocaba 1 defende a proposta. Afirma que no começo era contrário, mas depois, com as emendas apresentadas, passou a ser favorável. "Nós fizemos cinco, enquanto a Prefeitura fez quatro audiências", diz. Segundo ele, foi feito um cronograma para a população saber quando seria discutido e votado o projeto. "Entendo que o projeto está pronto para ser votado. Fizemos as audiências, demos publicidade e apresentamos emendas. E para que os vereadores possam apresentar outros projetos é necessário ter uma definição do Plano Diretor para que eles saibam onde apresentar as propostas", argumenta. Das 201 emendas apresentadas em primeira discussão, apenas 147 foram acatadas e voltam para a discussão de hoje junto a outras 74 apresentadas o que, somadas, chega a 221 emendas.
 
O vereador Muri de Brigadeiro afirma que, particularmente, vê com bons olhos o projeto do Plano Diretor. Diz que com a aprovação da proposta, o bairro de Brigadeiro Tobias, reduto dele, passará a ter mais valorização de área, favorecendo aos moradores de lá a aquisição de terrenos por um preço bom. "Para mim, está sendo uma mudança para melhor, um avanço. Vai deixar de ser zona rural e mudará para chácaras", comenta. Embora defenda o bairro onde nasceu e cresceu, o parlamentar diz que o projeto também será muito bom para a cidade. "O progresso tem ônus e bônus e não tem como brecarmos, porque se isso acontece, as pessoas vão continuar vindo morar na cidade e de maneira irregular. Algumas pessoas estão preocupadas com o meio ambiente, mas outras, é demagogia."
 
IDS
 




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