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Pronunciamento de Sergio Reze foi publicado por jornal de Sorocaba e região
18/07/2017

Pronunciamento de Sergio Reze, empresário de Sorocaba, SP, e presidente do IDS, foi publicado por jornal de Sorocaba e região.

Segue a íntegra do texto publicado na edição de hoje, dia 18.07.2017, na página A2 do Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região.

Em defesa do verdadeiro empresariado


Por Sérgio Antônio Reze

Os últimos acontecimentos no País envolvendo diretamente políticos e empresários ajudaram a ampliar uma visão distorcida que parte da sociedade brasileira tem do empresariado. Uma dicotomia irreal, como se de um lado estivessem os empresários e do outro os trabalhadores, como se todos não fossem diretamente afetados pelos respingos da atual crise política e econômica pela qual passamos.

Essa deformação na percepção sobre o verdadeiro perfil do empresariado brasileiro, majoritariamente composto por companhias de pequeno e médio portes e os maiores geradores de empregos, foi provocada pela divulgação de vários casos de corrupção envolvendo alguns dirigentes de empresas, como os de empreiteiras e mais recentemente da JBS. As pessoas, ao que parece, não conseguem identificar de onde nascem os problemas que as afligem.

Os problemas pelos quais estamos passando não nasceram na classe empresarial, mas das decisões equivocadas dos três poderes da nação: Executivo, Legislativo e Judiciário sejam eles municipais, estaduais ou federal. Não poucas vezes as escolhas tomadas beneficiam apenas grupos de interesse ou criam desvios. Por exemplo, não sou contra a existência de sindicatos, mas entendo que deveriam ser constituídos da mesma forma que as entidades de classe, sem interferência do Ministério do Trabalho e com contribuições apenas daqueles que desejam integrá-los.

O que realmente está por trás das decisões dos três poderes? Qual o direcionamento desse ou aquele meio de comunicação? Como ter certeza se a resolução realmente será construtiva para o País?

Se é difícil entender e tomar uma posição sobre tudo que é divulgado pelos veículos de comunicação tradicionais, com o advento das redes sociais a coisa tornou-se mais complexa, por causa da disseminação de falsas informações – muitas vezes compartilhadas sem averiguação –, que colaboram para que parte da população tome posição equivocada.

A sociedade vive refém de uma estrutura que cobra altos impostos e tributos para sustentar a parcela privilegiada da população que se apodera destes recursos sem devolver aquilo que a Constituição assegura como direito: justiça, educação, saúde, segurança, mobilidade e previdência.

Podemos dizer que 90% pagam para que 10% aproveitem. Não prestamos a menor atenção na quantidade de impostos embutidos em tudo aquilo que consumimos: cerca de 50% do que pagamos em uma garrafa de água mineral corresponde a impostos. Essa desatenção nos leva a seguir sem receber, o retorno pelo o que pagamos. O trabalhador é justamente quem arca com a maior fatia dos encargos.

Está na hora de o povo brasileiro começar a cobrar daqueles que direta ou indiretamente elegeu. Será que somos um País financeiramente capaz de arcar com 35 partidos, mais de 16 mil sindicatos, além de salários, benefícios e aposentadorias grandiosos dos muitos representantes no Congresso, no Senado, nas Câmaras municipais e nas inúmeras instâncias da Justiça?

Convido o leitor à reflexão: por que aceitamos diferenças gritantes de direitos sem protestar? Parlamentares, juízes e promotores, por exemplo, têm jornada de trabalho diferenciada e períodos de férias maiores em comparação com os trabalhadores ditos comuns.

Vejam, lembro-me de que quando estudei no Estadão os professores tinham o mesmo status de um Juiz de Direito ou de um Promotor, e hoje essa categoria recebe muito menos do que outras com menor nível de formação.

Em Sorocaba, por exemplo, motoristas de ônibus têm salário bem maior do que professores. Não é o professor o grande formador da consciência cívica dos cidadãos? Porque ele não é valorizado como um Juiz de Direito ou um Promotor?

Esse é o momento de a população entender que quem está contra o trabalhador não é o empresário. Estamos juntos, trabalhando e gerando resultados para o País, resultado este que acaba sendo mal utilizado e desperdiçado justamente por aqueles que escolhemos para nos representar.

Sergio Antonio Reze, 81 anos, é empresário do setor de concessionárias de veículos Abrão Reze e Cobel, dirigente sindical patronal da Assobrav, da Fenabrave e da Disal, e dirigente das entidades sociais Instituto Defenda Sorocaba e Instituto Atlântico.

IDS




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