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IDS e IAB sugerem a criação de instituto de planejamento
23/12/2014

Reprodução integral de notícia publicada na edição de 23.12.14 do Jornal Cruzeiro do Sul, de Sorocaba e região. Reportagem de Rafaela Gonçalves - rafaela.goncalves@jcruzeiro.com.br.

IDS e IAB sugerem a criação de instituto de planejamento
 
Sérgio Reze: “Nós não conseguimos entender como este plano foi elaborado e a forma como foi votado.”
 
Com o objetivo de debater o crescimento de Sorocaba, o Instituto Defenda Sorocaba (IDS) e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), do núcleo Sorocaba, se uniram para tratar questões relacionadas a ampla divulgação e discussão de propostas avaliadas e votadas pelas autoridades competentes, além da criação de um instituto que planeje o município, tendo independência política. O estopim para o debate surgiu após promulgação do novo Plano Diretor de Sorocaba.
 
Com a revisão do Plano Diretor, a cidade terá aumento de 26% em sua área urbana, redução de 45% da zona de conservação ambiental, menos 28% das áreas de chácaras e diminuição em 19% de zona rural. Só na zona residencial tipo 2, o aumento é de 76%, com 36 quilômetros quadrados a mais (o que significa 36 milhões de metros quadrados).
 
Na visão dos representantes das instituições, as consequências e os desdobramentos do Plano Diretor não foram debatidos corretamente. "É uma lei que mexe com os destinos das pessoas que moram em Sorocaba. Nós não conseguimos entender como este plano foi elaborado e a forma como foi votado. Eu, como cidadão, não me sinto representado por quem fez, por quem elaborou e por quem votou", disse Sérgio Reze, presidente do Instituto Defenda Sorocaba.
 
Na opinião de Reze, as autoridades não conversaram com especialistas de diversas áreas. "Nós ouvimos o prefeito dizer que ele não queria uma cidade com um milhão e meio de habitantes. E com este Plano Diretor, você iria atrair um volume grande de pessoas e, por conta disso, depois a própria cidade teria problemas para receber todos. Porque não é só ter os lotes para construções, você tem que ter saúde, hospitais, água para todos, policiamento, segurança, transporte. Tudo isso são investimentos que terão de ser feitos", analisou.
 
Diante da importância do assunto, Reze não quer que as questões sejam debatidas apenas na Câmara dos Vereadores. "Não queremos que este poder fique na mão de poucas pessoas. Quer dizer que 20 pessoas (vereadores) decidem o nome de uma rua, o destino de um bairro, o destino de uma área rural, o destino da água de Sorocaba e o destino do meio ambiente? São coisas muito profundas e é muito preocupante a forma como isso é discutido", comentou.
 
Luciana Valsechi, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), concorda com Reze. "Os vereadores tem um poder no final com as emendas, que fica um estica e puxa. Cada um pensa no seu ponto de interesse e, assim, você não estuda mais a cidade como um todo, você puxa pontos isolados e fica tudo fragmentando. E dependendo do veto, o prefeito não consegue voltar atrás mais, porque senão ele perde o artigo inteiro. Isso é muito frágil. Você não pode decidir o destino de uma cidade deste jeito, tirando uma linha, uma frase. Isso precisa ser tratado de outra maneira. É preciso pensar na gravidade disso tudo", analisou.
 
Por conta disso, os representantes das instituições acreditam que a criação de uma Instituição de Planejamento, que tenha independência política e que seja formada por membros de universidades da cidade, possa ser uma boa solução. "Essas questões deveriam ser debatidas em um ambiente com pessoas que tenham mais capacidade para fazer uma análise, como um instituto de engenharia, de arquitetos... Alguém ouviu falar que o pessoal da saúde teve participação na discussão deste assunto? Porque são eles sabem o que uma cidade precisa ter para atender uma população maior. Alguém ouviu o pessoal da segurança?", questionou Reze. "Nós não ouvimos ninguém da Câmara (dos Vereadores) criticar essas questões. Nós entendemos que também deveria ter um instituto de planejamento que seja independente, com técnicos contratados, como é, por exemplo, a Urbes (Trânsito e Transportes) e o Centro Tecnológico. Sorocaba precisa ser estudada", finalizou.
 
IDS




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